
O governador em exercício do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, fez duras críticas ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, durante entrevista concedida à revista Veja. Ao comentar a comissão criada pela Assembleia para fiscalizar os gastos do Poder Judiciário, Couto afirmou que a Casa, sob a presidência de Ruas, não cumpre a legislação de transparência.
Segundo o governador, a iniciativa do Legislativo surgiu após sua decisão de exonerar milhares de cargos comissionados indicados por deputados estaduais para a estrutura do governo.
"Essa comissão afronta a autonomia e independência entre os Poderes, preceitos constitucionais. Não cabe ao Legislativo estabelecer os gastos do Judiciário. É interessante que, em nenhum momento, a assembleia tratou do superfaturamento dos contratos celebrados pelas secretarias ocupadas por deputados. Eles preferem questionar os salários de magistrados e servidores. A propósito: todos esses dados se encontram no Portal da Transparência do Tribunal de Justiça. É a Alerj que não cumpre a lei e não publica suas despesas de modo adequado", afirmou Couto.
Na mesma entrevista, Ricardo Couto revelou detalhes das auditorias realizadas desde que assumiu interinamente o Governo do Estado. De acordo com ele, um dos casos mais graves envolve um contrato de aproximadamente R$ 50 milhões para prestação de serviços educacionais.
Segundo o desembargador, a relação de beneficiários do programa continha pessoas já falecidas, o que levou a equipe do governo a classificar o caso como um possível "contrato fantasma".
Couto afirmou ainda que as auditorias encontraram indícios de superfaturamento, pagamentos realizados antes da execução dos serviços e outras irregularidades em contratos firmados pela administração estadual. Segundo ele, novas medidas poderão ser adotadas conforme o avanço das investigações.
Douglas Ruas integrou o primeiro escalão do governo Cláudio Castro como secretário das Cidades antes de assumir a presidência da Alerj. O parlamentar também é pré-candidato ao Governo do Estado nas eleições de 2026. As declarações de Ricardo Couto aprofundam o embate entre o governador interino e a atual cúpula da Assembleia Legislativa, em meio à revisão de contratos e à reestruturação da máquina pública conduzida pelo desembargador.