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Secretário de Governo de Belford Roxo é condenado a 100 anos de prisão por fraudes em licitações e lavagem de dinheiro

Segundo a sentença, Dudu Magalhães participou de um esquema que fraudou 26 contratos públicos, direcionou licitações e acumulou patrimônio incompatível com a renda. Defesa afirma que a decisão não é definitiva e recorrerá.

Por: Redação Fonte: G1
26/06/2026 às 19h45 Atualizada em 30/06/2026 às 16h02
Secretário de Governo de Belford Roxo é condenado a 100 anos de prisão por fraudes em licitações e lavagem de dinheiro
Reprodução

O secretário de Governo de Belford Roxo, Carlos Eduardo Pereira da Silva, conhecido como Dudu Magalhães, foi condenado pela Justiça a 100 anos de prisão pelos crimes de fraude à licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A sentença considera que ele participou de um esquema que fraudou 26 contratos públicos firmados pelo município.

De acordo com a decisão judicial, o grupo atuava para direcionar licitações e beneficiar empresas previamente escolhidas em contratos de diversas áreas, incluindo serviços médicos, comunicação, organização de eventos e aquisição de equipamentos destinados ao atendimento da população.

Entre os casos apontados pela investigação está a compra de embarcações para ações de resgate durante enchentes. Segundo a auditoria, das 24 embarcações contratadas, apenas duas foram efetivamente entregues. A investigação também identificou que, em vez de um bote inflável apropriado para operações de salvamento, a prefeitura recebeu um produto classificado como artigo recreativo para piscina infantil. Outra embarcação entregue era um barco de alumínio considerado inadequado para atuar em áreas alagadas devido ao seu porte.

A sentença também destaca um contrato para fornecimento de buffet destinado a um evento com 600 convidados. Segundo a Justiça, o edital foi elaborado com exigências que restringiam a concorrência e favoreciam uma empresa específica, ao determinar que o mesmo fornecedor fosse responsável tanto pela alimentação quanto pela produção de materiais gráficos, como panfletos.

Segundo a decisão, Dudu Magalhães era o principal articulador empresarial do esquema, coordenando empresas que participavam das licitações, entre elas a New Life.

Outro ponto destacado na sentença é a evolução patrimonial do secretário. Conforme a investigação, ele registrou um crescimento superior a 400% em apenas três anos, considerado incompatível com sua renda declarada. Nesse período, teria adquirido diversos imóveis de alto padrão, incluindo um apartamento avaliado em R$ 1,35 milhão no condomínio Península, na Barra da Tijuca.

Além de Dudu Magalhães, outras sete pessoas também foram condenadas no mesmo processo.

Em janeiro do ano passado, Dudu Magalhães foi nomeado secretário de Governo de Belford Roxo pelo então prefeito Márcio Canella. À época da nomeação, ele já era alvo de investigações relacionadas aos fatos apurados pela Justiça.

Em nota, Márcio Canella afirmou que não possui qualquer relação com os fatos descritos na sentença e declarou estar à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

A defesa de Carlos Eduardo Pereira da Silva ressaltou que a condenação ainda não é definitiva e que o processo continua sujeito a recursos, permanecendo assegurada a presunção de inocência. Os advogados afirmaram que o secretário sempre colaborou com as investigações e confia que a apuração demonstrará a inexistência de qualquer prática ilícita.

A defesa informou ainda que o pedido de exoneração do cargo foi apresentado exclusivamente para preservar a regularidade da administração pública e evitar que questões pessoais interferissem na gestão, sem qualquer reconhecimento de culpa.

Já a Prefeitura de Belford Roxo informou que, embora não haja condenação com trânsito em julgado, o pedido de exoneração foi aceito. Em nota, a administração municipal afirmou que continuará pautando sua atuação pela legalidade, transparência e colaboração com os órgãos de controle e de Justiça.

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